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quinta-feira, 25 de julho de 2024

crônica sobre meus vícios de leitura

 tenho um defeito que gosto: estou lendo a história da filosofia de dilthey ("essência da filosofia") e, depois de alguns comentários breves sobre hume, concluo que é imprescindível ler o filósofo inglês para compreender melhor esse não-sei-o-quê que estou compreendendo. essa aparente virtude da curiosidade contudo se torna um vício quando estou frequentemente aumentando o escopo de minhas leituras para além de um centro comum; especialmente porque tenho uma tendência de rejeitar as bibliografias secundárias, as histórias e comentários em geral - não por desconsiderar sua sapiência: é mais um método de trabalho, um gosto epistemológico impressionista, como se quisesse apanhar as palavras em seu momento de ação, no golpe discursivo inteiro, no instante empírico do acontecimento - e perder, consequentemente, muito tempo procurando fios e sentidos comuns. o resultado é uma confusão constante, um eterno adiamento das conclusões, e o pior, da escrita, que atrapalha a prática profissional, mas, pelo menos me divirto.

quarta-feira, 10 de julho de 2024

crônica sobre a história do aceleracionismo

o meio em que conheci a escola talvez cause repulsa ou confusão em alguns. participava de um grupo no facebook chamado "left-libertarianism", dedicado a discutir ideias e teorias que envolvessem economia de mercado, liberdade econômica com pautas de esquerda. essa foi a circunstância com que tomei contato com o nome aceleracionismo. pouco depois, não lembro o ano, fui em um evento do ifcs - não tinha mais que dez pessoas - em que o uriel, um dos vanguardistas do aceleracionismo - deu uma péssima aula, via conferência de vídeo, sobre o tema. a impressão que me causou não foi suficiente para que seguisse atrás do assunto. só ouviria a falar de aceleracionismo novamente quando voltei a frequentar o twitter.

sábado, 15 de junho de 2024

cansaço diário

acordei tarde. a ansiedade com o horário - examino o relógio o tempo inteiro -, a insatisfação com a perda diária, infinitesimal, de produtividade - sou meu próprio chefe - certamente predispôs meus nervos a tristeza. não deu outra: abri o celular, o olho sujo de remela ainda, e uma coisa qualquer, banal e incapaz de perturbar ninguém, foi suficiente para me deixar melancólico. resolvi comer café da manhã na rua, é coisa que faço para tentar acrescentar alguma dignidade ao meu dia. lembro de que assim faziam os escritores no século XX, que imito por fantasia, já que há muito escrevi do sonho de escrever. enquanto caminho até a padaria, faço as contas: quatro e cinquenta o pão com ovo, mais quatro o café, e com certeza vou pedir outro, então doze e cinquenta. não sei porque animo essas contas fora a pretexto de me torturar, já que não controlo meu dinheiro para além de pagar minhas contas todo mês, mas faço mesmo assim. cumprimentei a garçonete, que me conhece pelo nome, pedi a comida, que estava até saborosa. conversei com um outro cliente, primeiro sobre os acontecimentos da política internacional, depois sobre os nacionais, e por fim ele me contou uma história de sua vida. era advogado, e certa vez foi preso. a história é boa, mas não quero escrever por preguiça. voltei então para casa (tudo isso durou menos de trinta minutos) e voltei aos meus afazeres de todos os dias, desde o primeiro minuto contando as quatro horas que demorariam para que pudesse fazer a pausa para almoçar os restos do jantar de ontem.

sociedades frias e quentes: sobre as bases materiais da história

1. o que a teoria marxista-comunista deseja? pelo exame do desenvolvimento histórico, empreender uma crítica teórica das ciências, e formul...