quando nos cagamos em público pela primeira vez aprendemos que o cocô é motivo para vergonha. somos reprimidos, às vezes gentilmente, outras de formas mais grosseiras, por gritos e insultos. tão logo ganhamos consciência de nosso cocô, aprendemos que ele não é coisa-pública. é o cocô que, antes do sexo, nos introduz na existência do segredo. e é o banheiro que, antes da alcova, se torna o primeiro cofre para o depósito desse segredo tão vil. não devemos nos surpreender, então, a relação profunda, sucessiva, que se cria entre o sexo e o banheiro. a criança, tão logo descubra que o sexo está proibido pelo público, irá realizá-lo consigo mesmo, às escondidas, no banheiro. o banheiro é o primeiro e mais persistente templo do amor de muitas crianças que, quando depois de casadas, redescobrem no chuveiro e no vaso esse espaço de gozo, tão sujo e secreto quanto o cocô. são duas coisas que todos sabemos que fazemos, mas que precisam ser feito às escondidas: o sexo e o cocô. e o banheiro une as duas: o único espaço inquestionável de solidão.
quarta-feira, 10 de julho de 2024
quinta-feira, 13 de julho de 2023
sobre PAIXÕES, de DERRIDA
"Tanto na amizade quanto na cortesia, não haveria um duplo dever: não seria exatamente evitar, a qualquer preço, a linguagem do rito e a linguagem do dever? [...] Um gesto "de amizade" ou "de cortesia" não seria nem amigável nem cortês se obedecesse pura e simplesmente a uma regra ritual. Mas esse dever de fugir à regra da conveniência ritualizada pede também um comportamento além da própria linguagem do dever. Não se pode ser amigo ou cortês por dever".
p. 13
contra Kant:
"Haveria, pois, um dever de não agir segundo o dever em conformidade: nem com o dever, diria Kant (pflichtmassig), nem mesmo por dever (aus Pflicht)? Como um tal dever, um contra-dever, nos endividaria? Com relação a quê? Com relação a quem?
p. 13 -14
"seria grosseiro parecer fazer um gesto, por exemplo, responder a um convite, por simples dever. Tampouco seria amistoso responder a um amigo por dever [ou] em conformidade com o dever.".
"jogar com a aparência onde ali se faz com a intenção".
p. 14.
"quanto ao "é preciso" da amizade, assim como ao da cortesia, não basta dizer que ele não deve ser da ordem do dever". Ele nem mesmo deve assumir a forma de uma regra, menos ainda de uma regra ritual. A partir de um momento em que se submetesse à necessidade de aplicar a um caso a generalidade de um preceito, o gesto de amizade ou de cortesia destruir-se-ia de uma vez só. Seria vencido, abatido e destruído pela rigidez regular da regra, em outras palavras, da norma. Axioma do qual não se deve deduzir que somente se chega à amizade ou à cortesia [...] transgredindo todas as regras ou indo contra todos os deveres. A contra-regra também é uma regra".
p. 14 - 15.
"A contradição interna do conceito de CORTESIA [...] é que implica a regra e a invenção sem regra. Sua invenção é que se conheça a regra, sem nunca se ater a ela. É falta de cortesia ser apenas cortês, ser cortês por cortesia".
p. 15
"dever".
"retórica da responsabilidade", o "discurso responsável sobre a responsabilidade".
"Ao falar de discurso responsável sobre a responsabilidade, já implicamos que o próprio discurso deve se submeter às normas e à lei da qual fala. Essa implicação parece inelutável, mas desconcertante: qual poderia ser a responsabilidade, a qualidade ou a virtude da responsabilidade, de um discurso consequente que pretendesse demonstrar que uma responsabilidade nunca poderia ser assumida sem equívoco ou contradição? que a autojustificativa de uma decisão é impossível e não poderia, a priori e por razões estruturais, de maneira alguma responder por si própria?"
p. 16
há "alguma coisa determinada por um saber, [...] aquilo que se encontra em frente dos olhos, da boca, das mãos; como um objeto pro-posto ou pré-posto, uma questão a ser tratada, um sujeito proposto, portanto, da mesma forma, [...] tratar-se-ia também de um ob-sujeito adiantado, como um quebra-mar ou como o promontório de um cabo, uma armadura ou uma vestimenta de proteção".
p. 17.
como abordar de frente a um problema, de maneira não-oblíqua, sem dissimulação, sem artimanha, sem cálculo?
late 14c., probleme, "a difficult question proposed for discussion or solution; a riddle; a scientific topic for investigation," from Old French problème (14c.) and directly from Latin problema, from Greek problēma "a task, that which is proposed, a question;" also "anything projecting, headland, promontory; fence, barrier;" also "a problem in geometry," literally "thing put forward," from proballein "propose," from pro "forward" (from PIE root *per- (1) "forward") + ballein "to throw" (from PIE root *gwele- "to throw, reach").
The meaning "a difficulty" is mid-15c. Mathematical sense of "proposition requiring some operation to be performed" is from 1560s in English. Problem child, one in which problems of a personal or social character are manifested, is recorded by 1916. Phrase _______ problem in reference to a persistent and seemingly insoluble difficulty is attested from at least 1882, in Jewish problem. Response no problem "that is acceptable; that can be done without difficulty" is recorded from 1968.
Etymology
From Proto-Hellenic *prógʷlāmə. Equivalent to προβάλλω (probállō, “I throw before”) + -μᾰ (-ma).
Pronunciation
Noun[edit]
πρόβλημᾰ • (próblēma) n (genitive προβλήμᾰτος); third declension
- anything thrown forward or projecting quotations ▲
- a hindrance, obstacle quotations ▲
- Hippocrates, Collected Works 582.10
- anything put before one as a defense, bulwark, barrier, screen, shield, wall quotations ▼
- (with genitive) a defense against a thing quotations ▲
- (with genitive) a defense against a thing quotations ▲
- anything put forward as an excuse or screen quotations ▲
- Demosthenes 1122.21
- that which is proposed as a task, business quotations ▲
- (geometry) problem quotations ▲
- (Logic of Aristotle) a question as to whether a statement is so or not quotations ▼
- a problem, difficulty quotations ▲
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